Uma fábula de Ambrose Bierce
Sátira para leitores mais velhos

A Jornada de Jamrach, o Rico
Jamrach, o Rico, ansioso para chegar à Cidade da Distinção Política antes do anoitecer, chegou a uma bifurcação na estrada e se viu indeciso sobre qual caminho seguir. Em seu momento de incerteza, consultou uma Pessoa de Aparência Sábia que estava sentada à beira do caminho.
"Pegue AQUELA estrada", disse a Pessoa de Aparência Sábia, apontando. "Ela é conhecida como a Estrada Política."
"Obrigado", respondeu Jamrach, pronto para prosseguir.
"Quanto você me agradece?", veio a resposta. "Você acha que estou aqui pela minha saúde?"
Jamrach, tendo adquirido sua riqueza por astúcia e não por ingenuidade, entregou algo ao seu guia e seguiu rapidamente. Logo, chegou a uma cancela guardada por um Cavalheiro Benevolente. Jamrach pagou a taxa exigida e foi autorizado a passar.
Um pouco mais adiante, ele encontrou uma ponte sobre um riacho imaginário, onde um Engenheiro Civil — que havia construído a ponte — exigiu uma taxa pelos juros de seu investimento. Jamrach obedeceu sem hesitar.
Conforme o dia avançava, Jamrach chegou à margem do que parecia ser um lago de tinta preta, onde a estrada terminava abruptamente. Avistando um Barqueiro em seu barco, ele pagou pela passagem e estava prestes a embarcar quando o Barqueiro o interrompeu.
"Não", disse o Barqueiro. "Coloque seu pescoço neste laço, e eu o rebocarei. É a única maneira", acrescentou, percebendo o aborrecimento de Jamrach com as acomodações.
Com o tempo, Jamrach foi arrastado para o outro lado, meio estrangulado e terrivelmente sujo pelas águas turvas.
"Pronto", disse o Barqueiro, puxando-o para a margem e libertando-o do laço. "Agora você está na Cidade da Distinção Política. Ela tem cinquenta milhões de habitantes, e como a cor do Lago Imundo não sai, todos eles parecem exatamente iguais."
"Ai de mim!", chorou Jamrach, lamentando a perda de todos os seus pertences, que havia gasto em gorjetas e pedágios. "Eu voltarei com você."
"Acho que não", respondeu o Barqueiro, já se afastando. "Esta cidade está situada na Ilha dos que Não Retornam."
A moral da história é que a busca por ambição política pode levar a sacrifícios custosos e consequências irrevogáveis, frequentemente resultando em uma perda de individualidade e identidade.
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Amanhã à noite: A Raposa e o Grou.